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Quando sobe a palco, a “Mulher do Fim do Mundo” leva consigo um alfinete. Consegue adivinhar porquê?

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Com 90 anos de vida, e 70 anos de carreira, Elza Soares é um nome incontornável da música brasileira. Com uma história de vida marcada pela violência doméstica e sexual, as músicas da cantora ganharam força ao longo dos anos e tornaram-se até em hinos de resistência. “Mulher do Fim do Mundo” é o nome do 32º álbum da cantora e é também o nome de uma das músicas que o compõe. Este é, inclusive, um dos temas centrais da banda sonora de 3%, uma série Netflix gravada no brasil e interpretada por atores brasileiros. Em entrevista à Revista Bem Mais Mulher, a cantora revelou como deu os primeiros passos na música.

“O meu filho mais velho João Carlos estava morrendo e eu já tinha perdido 2 filhos e não queria perder mais um. Eu não tinha dinheiro pra cuidar do meu filho e ouvi no rádio que o programa do Ary Barroso de calouros Nota 5, estava com o prêmio acumulado. Não sei como, mas eu sabia que ia buscar esse prêmio!Fiz a inscrição e me avisaram que eu precisava ir bonita. Mas eu não tinha roupa nem sapatos, não tinha nada! Então, eu peguei uma roupa da minha mãe, que pesava 60kg e vesti, só que eu pesava 32kg, já viu né? Ajustei com alfinetes. (…) Quando me chamaram, levantei e entrei no palco do auditório. O auditório tava lotado, todo mundo começou a rir alto debochando de mim. Seu Ary me chamou e perguntou: “O que você veio fazer aqui?”. “Eu vim Cantar!”, respondeu Elza.

“Me diz uma coisa, de que planeta você veio?”, contrapôs. “Do mesmo planeta seu Seu Ary”, respondeu a concorrente. “E qual é o meu planeta?”, questionou, intrigado. “Planeta Fome!”, respondeu Elza, surpreendendo todos com a sua resposta.

Com a interpretação da música Lama, a cantora levou consigo o prémio final e desde então que o alfinete é o seu amuleto da sorte, cada vez que pisa o palco.

“Naquela época eu achava que se tivesse alimentos pros meus filhos, não teria mais fome. O tempo passou e eu continuei com fome, fome de cultura, de dignidade, de educação, de igualdade e muito mais, percebo que a fome só muda de cara, mas não tem fim. Há sempre um vazio que a gente não consegue preencher e talvez seja essa mesma a razão da nossa existência”, explicou Elza Soares na mesma entrevista.

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